

Niki Piano Bar, do Lucky Group, funciona na Bolshaya Nikitskaya, 22/2, e constrói a noite em torno de um piano ao vivo. A sala, com 70 lugares, foi criada por Evgenia Uzhegova: luz cor de mel, bar em vitral, cortinas pesadas e “camarotes” fechados ao fundo criam a sensação de um salão íntimo, escondido da rua barulhenta. À entrada, os hóspedes são recebidos por uma tela de Grigory Mayofis com um urso ao piano; ao lado, obras de Mikhail Psyurnikov, Anastasia Motina e Olivia Lehm, e numa estante estão expostos ursinhos de peluche antigos.
É interessante observar aqui a ideia de um piano bar russo: interior, música e menu reunidos num único roteiro noturno, mas sem a seriedade de museu.
A cozinha é liderada pelo chef de marca Dan Miron: os motivos russos aqui não são reconstruídos literalmente, mas traduzidos para uma linguagem de restaurante contemporânea. No menu há caviar com blinis ou legumes, kholodets (aspic russo), toucinho, rösti com caranguejo, mini-chebureki, pelmeni, peixe-branco muksun no vapor e torta de salmão. O bar está a cargo do chef-barman Maxim Gorelik e do gerente de bar Yuri Shaiditsky — com infusões, licores caseiros, coquetéis à moda francesa e uma secção dedicada a vinhos russos.

O que provámos?
Tártaro clássico de vitela — 1 370 ₽. Carne de boa qualidade, textura cuidada, nada em excesso. A apresentação em forma de hambúrguer pode parecer discutível, mas, para um restaurante com entonação russa, há aqui a sua própria lógica — a escolha funciona mais como referência do que como acaso.
Salada de legumes — 1 250 ₽. No prato, tudo parece arrumado: rabanete, tomate, pimento, cebola, muita couve. O tempero de nata azeda encaixa bem e vai ao encontro do conceito do lugar. O azeite kakhetiano como opção alternativa é uma escolha que foge do rumo geral: isto não é um restaurante georgiano, e o acento no sabor local é mais importante aqui.
Vareniki de batata e morilhas — 890 ₽. O recheio é saboroso, gorduroso, com nata azeda — quase o que se espera. O problema está na massa: está cozida demais, e é difícil não notar. Por isso, um prato com potencial não chega a um positivo consistente.
Frango com morilhas — 1 450 ₽. O melhor do que provámos nesse jantar. Porção generosa, ponto de cozedura bom, molho com carácter. A única coisa que falta é algum acompanhamento: o frango claramente pede companhia no prato, mas o menu não prevê isso.

Niki Piano Bar é um lugar com uma ideia clara e uma comida razoável, ao qual ainda falta rodagem. O serviço, nessa noite, deixou uma sensação de inacabado: a água e a cerveja demoraram bem mais do que deveriam, as entradas e os pratos quentes não chegaram de forma sincronizada — a hóspedes diferentes em momentos diferentes. A mesa era limpa raramente e sem iniciativa. Ninguém pediu retorno sobre os pratos nem sobre a visita em geral — e isso se sente. O serviço mostrou-se ao mesmo tempo frio e, em certos momentos, excessivamente insistente, o que por si só é uma combinação rara.
Quanto ao piano: ele realmente cria atmosfera, mas é importante entender o detalhe: nas mesas ao lado dele, a conversa tem de ser em voz alta. Os lugares mais afastados oferecem visivelmente mais conforto, e quando a música parava, tudo ficava simplesmente mais fácil. Para um lugar que constrói o conceito em torno do som ao vivo, essa é uma contradição relevante.
Já na sexta-feira, por volta das nove da noite, a sala está quase cheia, o público é agradável, o ambiente geral funciona bem. O Niki Piano Bar tem potencial — a cozinha, em alguns momentos, surpreende pelo lado bom, o interior foi feito com atenção aos detalhes, e a ideia de um piano bar russo contemporâneo na Bolshaya Nikitskaya soa convincente. Mas, por enquanto, a sensação de uma noite acabada e bem ajustada ainda não se forma aqui. Depois desse jantar, não surgiu vontade de voltar, por isso, por ora, não atribuímos uma nota no guia de restaurantes The Taste.
23.07.2026
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