

Em Tbilisi, o melhor jantar começa muitas vezes não por uma tabuleta, mas por um jardim, um vinho e um prato que se recorda no dia seguinte.
Os 18 melhores restaurantes de Tbilisi 2026 não começam por um único grande percurso de khinkali. Nesta cidade pode-se jantar no pátio do Littera, tomar o pequeno-almoço no Rooms Hotel, ir atrás de ramen ao Stamba Asia, de uma taverna grega ao Miti, de uma noite espanhola ao MADRE. É entre estes pontos que se forma a Tbilisi contemporânea: não só tradição, mas também cozinhas novas, salas pequenas, jardins, terraços, bares de hotel e sítios onde o produto local não se transforma em souvenir. Nesta seleção estão endereços que valem uma reserva antecipada. Nuns importa o pátio, noutros o forno ou a grelha, noutros um pequeno-almoço que dura até à noite, e noutros ainda o silêncio para sete mesas junto ao teatro Gabriadze.
O Alubali assenta numa sala luminosa: chão de madeira branca, mesas redondas, ramos de palmeira, candeeiros discretos e janelas atrás das quais o restaurante quase se torna um jardim de inverno. A esplanada de verão mantém o mesmo tom — elegante, mas sem peso excessivo. A cozinha pega nos clássicos georgianos e torna-os mais leves: não estiliza a antiguidade, mas atualiza com cuidado receitas conhecidas. Vem-se aqui jantar com vinho, verde à janela e boa louça numa mesa grande. O Alubali é bom quando se quer um restaurante georgiano sem a via direta do turismo.
O ATI é um restaurante georgiano com porte de bar: produtos locais, terraço, vinhos locais e um interior que lembra mais um bar caro de Manhattan do que uma sala tradicional de Tbilisi. No verão juntam-se a isto a cidade de noite, música e bruschette ao ar livre. Por dentro há muitas superfícies lisas e luz quente, mas a cozinha não escorrega para uma decoratividade fria. Aqui janta-se melhor à noite: pedir vinho, colocar vários pratos na mesa e ver como a comida georgiana muda sem perder o sabor e sem cair no clichê.
O Bruno, na rua Paliashvili, parece tranquilo: sala ampla, mesas compridas, candeeiros baixos, lugares de bar para uma ou duas pessoas. De dia fazem café, à noite preparam cocktails Bruno e há sets de DJ. O menu é internacional, sem tentar a todo o custo provar um caráter georgiano, e é nisso que está a sua comodidade. O restaurante serve tanto para grupo como para encontro a dois: a luz é suave, a disposição das mesas não é apertada, não é preciso gritar para conversar. Boa escolha em Vake, se se quer um jantar sem folclore nem solenidade a mais.
O HONORÉ parece uma casa onde a mesa se põe sem cerimónias, mas com atenção ao sabor. Paredes leitosas, grandes quadros abstratos, detalhes em vermelho e azul, luz suave, mesas de madeira — o interior não disputa protagonismo com a comida. No menu cruzam-se linhas europeias e cachetianas: pratos simples, vinho, densidade clara, nada que se pareça com teatro gastronómico. Aqui não se esperam toalhas brancas nem longas explicações do empregado de mesa. O sentido do HONORÉ é outro: calor, preço razoável, público agradável e um jantar depois do qual não se sente que estivemos a ser entretidos.
O Kikodze é melhor descoberto de manhã. Os pequenos-almoços servem-se das 9h às 17h, e para Tbilisi este é quase o horário ideal: pode-se chegar tarde, pedir uma omelete ou um café e não ter pressa. O bar fica na “Vinzavod” (antiga fábrica de vinho), tem esplanada de verão com chapéus-de-sol e uma sala tranquila sem brilho excessivo. De dia são boas as conversas ao pequeno-almoço, à noite os cocktails na sala principal, onde o balcão de mármore e as toalhas brancas mudam depressa o ambiente. Não é um sítio para um jantar de gala, mas um ponto de onde é fácil começar o dia e ficar mais tempo, sobretudo no calor.
O Kitch Bistro é feito de tijolo, pedra, janelas em arco, poltronas macias e candeeiros pequenos. O bar com detalhes dourados torna a sala elegante, mas o menu não se dissolve no interior. Na cozinha há muita grelha: beringela com stracciatella e pesto de coentros, burrata com tomate e estragão, tártaro com parmesão, couve-flor com bazhe. As linhas georgiana e europeia encontram-se não em teoria, mas em pratos concretos. O Kitch é prático para um jantar no centro, quando se quer uma sala bonita, mas a comida não pode ser só pano de fundo para fotografias.
O Lazy é um restaurante para um dia sem plano rígido. Chão de madeira clara, paredes rosa com detalhes azuis, estofo axadrezado nas cadeiras, bar aberto e uma La Marzocco azul dão o tom simpático. No menu, pratos georgianos convivem tranquilamente com bifes, marisco e sobremesas artesanais. Khinkali e khachapuri ganham aqui novos recheios, mas sem se transformarem em atração. O Lazy funciona bem entre o pequeno-almoço e o jantar: pode-se entrar para um café, ficar para comer e só depois perceber que a noite já começou.
O Littera é um restaurante em que o pátio importa mais do que a tabuleta. As mesas estão num jardim verde, e é ali que melhor se percebe a cozinha de Tekuna Gachechiladze: os clássicos georgianos mudam sob influência internacional, mas sem perder a ligação ao lugar. Não é um endereço para khinkali “como o da avó”; vem-se aqui ver como produtos e receitas conhecidos ganham liberdade. O Littera já foi referido na órbita do The World's 50 Best Restaurants, mas à mesa isso não se sente como um prémio pendurado na parede. O que importa é o verde, a luz, o vinho e a comida pela qual o pátio fica na memória.
O MADRE dá a Tbilisi uma noite espanhola sem cartão-postal turístico. O restaurante do grupo Communal Company ocupa um edifício histórico em Mtatsminda e olha para a cultura basca: marisco, paelha, pastelaria própria, saladas, vinhos e cocktails espanhóis. Depois de alguns dias de khinkali e jantares cachetianos, esta mudança vem mesmo a calhar. O interior sustenta o tema do sul, mas sem transformar a sala em cenário. Vem-se aqui por peixe, arroz, vinho e a rara sensação, em Tbilisi, de que o mar está por perto, mesmo sem estar à janela.
O Miti Taverna abriu em 2024 e tornou-se rapidamente o endereço de Tbilisi para cozinha grega. Por dentro há paredes cor de areia, madeira clara, cerâmica, flores secas, uma oliveira num vão em arco e luz suave de candeeiros suspensos. O menu assenta no Mediterrâneo: polvo com batata, souvlaki de frango, moussaka, mistura de marisco, loukoumades com frutos silvestres. Numa cidade onde a cozinha georgiana ocupa facilmente toda a atenção, o Miti propõe outro percurso do sul. Pode-se ir tanto ao pequeno-almoço como ao jantar — ambas as opções parecem naturais.
O Ninia's Garden constrói-se à volta do verde e da luz: flores nas mesas, sala azul com desenhos de pássaros, toalhas, teto de vidro através do qual a chuva se torna parte do jantar. No pátio há tijolo, madeira e mesas redondas para vinho ao ar livre. A cozinha é georgiana, mas sem o peso da mesa tradicional: pratos conhecidos são servidos com cuidado, numa versão mais contemporânea. Aqui é bom ir para um jantar que não disputa com o jardim, mas o continua — ervas, vinho, luz suave e pausa entre pratos. E é melhor pedir mesa não ao fundo da sala, mas perto do verde.
O Rooms Hotel não é só um restaurante de hotel, é parte do bairro de Vera. Um edifício histórico de uma antiga casa editorial, um interior com referências a Nova Iorque dos anos 1920-1930, um bar botânico, um lobby de madeira escura e terraços com vista sobre a cidade tornam o pequeno-almoço quase paragem obrigatória do percurso. A cozinha aqui é americana, o formato é calmo: buffet, café, uma manhã sem pressa. Vem-se ao Rooms não pelo exotismo georgiano, mas por um bom começo de dia. Depois do pequeno-almoço é fácil ficar para mais um café antes de sair para a cidade.
O Shavi Lomi é o restaurante de Meriko Gubeladze, onde a cozinha georgiana dispensa o kit turístico. Na sala há tetos altos, tapetes nas paredes, velas, madeira e cores profundas; nas mesas há flores, à volta há muitas rosas, e no terraço aparece o próprio leão negro que dá nome ao lugar. Os pratos aqui não suavizam o sabor: cada um tem um detalhe forte, uma especiaria, um molho ou uma textura que prende. É um restaurante para um jantar demorado, quando se quer pedir mais um vinho e não sair logo depois da sobremesa. No verão, é melhor pedir o terraço.
O Stamba Asia está integrado no universo do Cafe Stamba, mas não tenta ser um restaurante georgiano. Depois do sucesso do Shio Ramen, a equipa da Adjara Group apostou em massa caseira, caldo intenso e cozinha aberta: os cozinheiros trabalham à vista, e da mesa vê-se o ramen a ser montado. O interior é reconhecivelmente Stamba — sofás vermelhos, metal, textura industrial, mesas confortáveis. É o lugar certo quando, em Tbilisi, apetece uma tigela quente, sabores asiáticos e a energia de um grande hotel urbano. Sobretudo à noite, quando o Stamba enche de gente.
O Deda fica no centro antigo e parece um bar contemporâneo instalado num pátio georgiano. Paredes de tijolo com verde, toalhas floridas, mobiliário simples de madeira, um bar redondo em metal e uma zona com degraus criam a sensação de uma casa aberta. O menu mantém-se perto da tradição: khachapuri, khinkali, satsivi, lobio, espetadas, phkali, sopas, vinhos georgianos e caseiros. Pode-se trazer aqui alguém na primeira noite em Tbilisi: vai ser claro, animado na medida certa e sem solenidade de museu. O bar também merece ser pedido à parte.
O KETO&KOTE é apreciado por um relaxamento raro no centro, quase de quinta. Reservando com antecedência, pode-se pedir a varanda e olhar para a cidade por cima dos telhados; por dentro há uma sensação quase de campo, embora a Tbilisi antiga esteja mesmo ao lado. No menu há cozinha da Europa de Leste, fácil de combinar com vinho: o pessoal explica bem os pratos e não deixa o hóspede sozinho com a lista. Vale a pena ir de noite, quando se quer ar, uma disposição confortável e comida que não precisa de ser decifrada. O restaurante é especialmente bom depois de um dia por ruas estreitas.
O Mint, no terreno da antiga fábrica de vinho, serve para o pequeno-almoço, mas não parece um café matinal utilitário. Tetos altos, mesas brancas brilhantes, vigas de madeira, um balcão de bar iluminado e janelas em arco com vista para o jardim tornam a sala luminosa e tranquila. No menu há omelete com guacamole e cheddar, benedict de peru ou salmão, ovo escalfado com molho de iogurte, granola, sandes. Ficando mais tempo, aparecem massa com camarão, risoto de trufa e salmão em molho de vinho. A manhã aqui torna-se facilmente almoço.
O OTSY é um pequeno restaurante para sete mesas, junto ao teatro de Rezo Gabriadze. A escala impõe logo as regras: aqui não há onde se esconder atrás de uma sala grande, por isso notam-se a água com laranja e hortelã no início, a disposição tranquila, o serviço atento e um menu onde o clássico georgiano ganha um toque europeu. O restaurante é íntimo, sem sobrecarga decorativa, com um público que vem mesmo para jantar, e não para um passeio ruidoso. Bom final de dia no centro: carta curta, pratos claros, conversa à mesa e um silêncio quase doméstico.
26.07.2026