«Intelligentsia 2.0» é um restaurante em Taganka, de Alexey Tikunov, onde Alexander Galuza une produtos sazonais, técnicas de autor e uma atmosfera urbana tranquila.

O restaurante ocupa o edifício histórico da colónia Alekseevskaya, na rua Alexander Solzhenitsyn. O interior de Georgy Markaryan e Stanislav Chernyavsky, do RZB United, remete para a estética de meados do século XX: na sala há muita madeira, tecidos naturais, luz suave e uma geometria apurada. Em vez de uma decoração rústica — um roteiro mais silencioso: uma disposição aconchegante, uma mesa comum de carvalho para um pequeno grupo e a sensação de um lugar onde a história do bairro continua a fazer parte do jantar.

Alexander Galuza divide a gastronomia em duas direções. A primeira é a sala principal, com cozinha de autor, próxima em espírito de uma brasserie: forma clara, produto sazonal, trabalho artesanal e acentos asiáticos, que acrescentam profundidade aos pratos. A segunda é a Chef's Table para seis pessoas, um formato mais íntimo e concentrado. A ela conduz uma galeria com o mosaico da fábrica «Serp e Molot», por isso o caminho até à mesa faz parte da impressão geral.

A ideia principal da cozinha é o respeito pelo produto, sem demonstração desnecessária de técnica. Aqui não se procura complicar o sabor por efeito: os ingredientes simples revelam-se através da sazonalidade, de um processamento preciso e de combinações em que se sente a mão do chef. O formato é adequado tanto para um jantar tranquilo como para conhecer o lado mais experimental do restaurante, para quem quer ver o trabalho da cozinha de perto.

A carta de vinhos é reunida pelo chef-sommelier Andrey Trunov. Nela importam não os nomes sonantes por si só, mas a capacidade do vinho de dar continuidade ao prato e à conversa à mesa. À noite, junta-se a isto um detalhe vivo — vinil às sextas-feiras, que muda o ritmo da sala sem o volume de um clube. No tempo quente surge mais um roteiro: um terraço para um coquetel, um copo de vinho ou um jantar leve ao ar livre.

A «Intelligentsia 2.0» assenta na combinação entre contexto cultural e coisas de restaurante muito práticas: uma disposição confortável, uma luz atenta, um serviço claro e uma cozinha com posição própria. Em Taganka, resultou não um projeto de museu sobre o passado, mas um restaurante urbano vivo, onde a morada histórica ajuda o estado de espírito, mas não substitui o sabor.