Na Malaya Bronnaya, numa mansão junto aos Lagos Patriarshiye, funciona o Mama Tuta — um projeto do restaurador Aram Mnatsakanov e do chef de marca Gia Khuchua. A sua cozinha georgiana dispensa o pathos folclórico: clássicos e variações de autor sobre o tema da amizade georgiano-italiana, num interior da Sundukovy Sisters, distribuído por dois pisos de uma mansão histórica.

No primeiro piso está uma sala para 42 lugares, com cozinha aberta, no centro da qual se encontra o forno tradicional tone. Nele assa-se o dia inteiro o pão georgiano puri, que é levado a cada mesa como cortesia — com manteiga de Cachétia e sal svan. Paredes num tom azul-esverdeado profundo, com um fino ornamento em bordô, fotografias antigas, cortinas de renda. O design da Sundukovy Sisters é contido e preciso — nenhum gesto a mais. O destaque principal da sala é a instalação luminosa da pintura «Carne», de Giorgi Totibadze.

Na opinião da equipa do nosso guia gastronómico, os mini khinkali, a salada com manteiga de Cachétia e as línguas de borrego grelhadas são as três opções por onde vale a pena começar a conhecer o menu.

O segundo piso é um mundo completamente diferente: um piano Steinway de antiquário, um tapete de seda que cobre todo o chão, cortinas de veludo com franjas e uma coleção de relíquias de família criam a atmosfera de um apartamento de Tbilisi onde os convidados são bem-vindos. Por trás da cortina, uma coleção de vinhos distinguida pelos rankings Wine Spectator e FINE WINE, com especial atenção ao vinho laranja e aos melhores rótulos georgianos. O piso é frequentemente reservado para eventos privados — aniversários, casamentos íntimos — o que se explica facilmente: a privacidade aqui é orgânica, não forçada.

O menu tem cerca de trinta opções — e nenhuma delas é dispensável. Os clássicos estão todos presentes: tabaka de frango, chakapuli, shkmeruli, dolma à moda de Avlabari. Ao lado, variações de autor em que a tradição georgiana encontra a técnica italiana: ravioli com kuchmachi, ravioli com miolos de vitela, mini khinkali de vaca em molho cacio e pepe com gorgonzola e parmesão. Merecem destaque especial as línguas de borrego grelhadas com aipo-rábano assado — uma iguaria muitas vezes reservada com antecedência. Entre as sobremesas, alperces estufados com nozes e creme de mascarpone, e cheesecake de matsoni. As doses são pequenas, e isso é propositado: o menu foi pensado para se provarem vários pratos numa só noite.

Os nossos clientes incógnitos deram 7 em 10 ao jantar — pela precisão dos sabores, pela sobriedade acertada do menu e por uma atmosfera em que apetece não ter pressa.

No nome do restaurante vive a palavra «tuta» — a amoreira. No Cáucaso, esta árvore é considerada um símbolo de sabedoria e fertilidade: dos seus frutos faz-se de tudo, desde sobremesas até chacha. O conceito do espaço foi desenvolvido por Gia Khuchua em conjunto com Aram Mnatsakanov, e após o lançamento em Moscovo, o ranking gastronómico da GQ distinguiu-o como restaurante do ano. A cozinha georgiana é aqui servida sem cenário teatral — como a comida que se faz em casa quando chegam pessoas próximas.